A Interação Social e Suas Implicâncias no Ciberespaço

  1. Introdução

O nascimento da Rede Mundial de Computadores, desenvolvida pelo departamento norte-americano Advanced Research Projects Agency ( ARPA) em 1958 ainda no período que compreendia a Guerra Fria, disputa pela hegemonia global entre os Estados Unidos da América e a União Soviética, revelou ao mundo uma nova tecnologia de interconexão de computadores em rede, algo até então desconhecido pela comunidade global.

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Imagens Google

 O sistema de conexão de início não se apresentava nos moldes de hoje, isso porque o projeto em seu primar era rústico, uma vez que tinha como objetivo apenas o de superar a tecnologia soviética. O invento humano depois de algum tempo começou a ganhar mais adeptos tendo em vista as possibilidades que essa tecnologia poderia proporcionar ao desenvolvimento humano. Foi partindo dessa premissa que Berners- Lee desenvolveu um sistema de hipertexto, o World Wide Web, no qual os usuários poderiam manipular as informações dos computadores quando estes estivessem conectados à rede. Tempo mais tarde, aprimoramentos foram precisos para aperfeiçoar a relação entre homem e computador de rede, desta forma nova softwares foram desenvolvidos até que se chegassem ao atual modelo de navegação web que possuímos, um avanço nas comunicações nunca antes presenciado pela vida humana. Por fim, tem-se de fato a criação da internet como um sistema de comunicação descentralizado, recentemente, na década de 1990.

Observa-se que a comunicação web em massa possui apenas 25 anos, quase 26 anos, tempo pequeno se comparamos ao tempo gasto pelo homem no desenvolvimento de outras tecnologias de comunicação como, por exemplo, a escrita , uma forma de comunicação que marcou a história humana. Voltando-nos à comunicação web, percebe-se que o tempo de difusão desse tipo de comunicação ainda é ínfimo, o que se nota ao realizarmos uma pequena observação no controle das relações humanas que o homem possui quando essas se dão no meio virtual. O ser humano ainda não desenvolveu um aparato universal de que garanta organização, controle e proteção aos usuários desse espaço, algo que difere do meio real no qual as relações se dão sob um sistema de organização, possuindo todos direitos e deveres postulados pelo Estado. Caímos em meio à escuridão quando percebemos que pouco se conhece das vantagens e consequências de utilização dessa nova dimensão.

Com vistas a discutir sobre as relações e inferências da utilização do espaço virtual pelo ser humano faço uma apreciação crítica pautada no artigo escrito pelo professor doutor Francisco Perna Filho, A Espetacularização do Humano; no filme Sem Vestígios (Untraceable – direção de Gregory Hoblit – EUA, 2008); com fundamentação teórica nos artigos: Uma Reflexão Sobre a Rede Mundial de Computadores (Guilherme Paiva de Carvalho); Ciberespaço – Nova Realidade, Novos Perigos, Novas Formas de Defesa ( Ana Maria Nicolaci-da-Costa); O Sublime e o Mito no Ciberespaço e Suas Consequências no Jornalismo ( Ludimila Santos Matos); Ciberdemocracia – Participação Popular Via Internet ( Guilherme Tomizawa, Thamyres Maschio); e A Influência do Consumidor na Era da Internet ( Paulo Cesar da Cunha Maya, Walter Ruben Iriondo Otero).

  1. Desenvolvimento

O artigo A Espetacularização do Humano é divido em três títulos discursivos, a saber: Introdução, onde o autor revela seu ponto de partida ao revelar que sua discussão visa entender o porquê do espaço virtual, hoje, ser visto como um palco de audiência, defendido pelo mesmo como de espetáculo, à procura da fama; Mundo, Mundo, Vasto Mundo, discorrendo Francisco sobre quatro questionamentos: de que forma as relações virtuais vêm afetando o homem deste século? Como as tecnologias midiáticas estão influenciando na configuração desse novo homem? Que respostas podemos esperar desses novos tempos em que todos são produtores e consumidores ao mesmo tempo? E quais recursos serão utilizados para atrair esse novo consumidor/leitor?; Ecos Digitais, nesse momento Perna discute sobre os novos rumos tomados pela mídia desdobrando-se sobre a relação produtores e consumidores desses meios midiáticos.

Pois bem, através de análises das obras e leituras referenciadas, posiciono-me diante do artigo A Espetacularização do Humano.

Inicio minha análise partindo do primeiro questionamento levantado no estudo, ou seja, sobre como as relações virtuais vem afetando o homem deste século.

É sabido que pouco se conhece dos códigos virtuais, nos falta domínio destes, assim sendo, nos deparamos com um novo mundo, onde fenômenos estranhos ou que se assemelham ao que conhecemos tomam novos rumos, novas formas e novas implicâncias. Fazem-se presentes, estes, na comunicação, um dos meios mais usados para que se dê a interação entre pessoas. Essa necessidade de se conhecer o meio virtual para saber como lidar com tal é trabalhado na Espetacularização do Humano. Põe-me favorável à abordagem por ser fazer verdade que pouco se conhece sobre o ciberespaço, logo, ao usarmos esse mundo tornamo-nos pesquisadores e ao mesmo tempo cobaias dessa nova modalidade de comunicação, onde as regras, os sentidos e a ordem dos códigos apresentam-se ora iguais, ora diferentes dos códigos já dominados pelo homem. Vem para reforçar essa a posição, a psicóloga mestre Ana Maria Nicolaci da Costa em seu artigo Ciberespaço – Nova Realidade, Novos Perigos, Novas Formas de Defesa, ao ensejar que mesmo que estejamos conscientes de que há muito a se aprender na comunicação virtual, não é fácil nos descartamos do pressuposto que se encontra por trás de todos esses horrores: o pressuposto de que somos indefesos para lidar com os novos perigos criados pela nova realidade digital.

Adentrando mais, percebo que estamos vulneráveis neste meio, uma vez que não temos segurança dos caminhos que tomamos, corremos riscos conhecidos e riscos ainda desconhecidos, os quais assustam mais, pois os perigos do mundo virtual assumem novas características das quais pouco se conhece. Quais perigos conhecidos estamos a correr? Se nos basearmos nos crimes comumente cometidos no mundo real e nos voltarmos para os crimes praticados no ciberespaço, logo nos damos conta de que são os mesmos, porém, de forma mais frequente, numerosa e com maior grau de periculosidade como, por exemplo, crime contra menores, aliciamento, pedofilia, etc. Depreende-se desta observação que os criminosos ganharam com o ciberespaço um mercado do crime mais promissor. A priori, questiono-me: estamos preparados para lidar com tal dimensão assumida pelos crimes virtuais, temos condições de controle e poder de punição aos crimes cometidos neste mundo ainda em descobrimento? A resposta a esse questionamento é complexa, não obstante, com finco posiciono-me que não temos condições, hoje, para lidar com o avanço dos crimes virtuais. Por uma única razão tomo tal posicionamento, pois crente estou ao afirmar que não temos como lidar com algo que foge ao alcance do homem enquanto um ser real, materializado em um espaço e tempo diferente do espaço e tempo assumido pela tecnologia em pauta, e submetidos a condições que limitam nossas ações, que fogem ao nosso controle. Desta forma, Ludimila Santos Matos em seu artigo O Sublime e o Mito no Ciberespaço e suas Consequências contribui ao dizer que a realidade do ciberespaço difere da controlada pelo homem, é como se no ciberespaço os seres humanos adquirissem super-poderes capazes de eliminar as barreiras do tempo da geografia e do espaço concreto; de forma que pudéssemos nos comportar como se nesse lugar não houvesse lei, poderes institucionalizados, regras a obedecer ou punições a temer.

A questão do crime virtual é claramente tratada pelo filme Sem Vestígios de Gregory Hoblit. A trama é marcada por um serial Killer, onde um garoto com visíveis sinais de problemas psicológicos resolve divulgar assassinatos ao vivo em seu sítio eletrônico, contando com a participação de seu público para que os crimes ocorressem. Esse filme é apenas uma visão do quão perigoso se apresenta o mundo virtual, se não mais, em relação ao mundo real.

Atualmente existem alguns códigos que visam punir os crimes virtuais, porém, ainda estamos caminhando a passos de tartaruga enquanto os crimes virtuais a passos de avestruz. Contudo, a necessidade de cuidados em meio a todas as gritantes tentações do mundo virtual deve ser levado a sério.

Prossigo com a discussão voltando-me, agora, para a apreciação da segunda pergunta levantada pelo artigo: como as tecnologias midiáticas estão influenciando na configuração desse novo homem?

Entende-se por tecnologias midiáticas os meios de comunicação voltados aos acontecimentos espontâneos ou planejados que atrai a atenção. Pois bem, como podemos pensar na influência que as pessoas recebem dos meios de comunicação no ciberespaço? A resposta a essa pergunta requer uma reflexão sobre um ponto levantado por Francisco Perna em seu artigo, quando diz que a migração dos meios de comunicações tradicionais para o virtual mudou a finalidade desses, pois se antes tínhamos a direção de um para todos, isto é, a influência que partia de um endereço único para os demais, agora, temos o inverso, temos influência de todos para todos. Estaríamos diante de uma espécie de democracia nunca vista? Eu, particularmente, acredito que sim, que estamos diante de uma nova espécie de democracia a qual toma rumos e contornos diferentes da democracia que possuímos, uma vez que se fala de uma democracia numa dimensão tempo-espacial diferente, democracia esta já intitulada por muitos de ciberdemocracia.

No entanto, como essa ciberdemocracia nos influencia? Acredito que ao adentrarmos na virtualidade, estamos envoltos de um complexo- virtual de rede de influências, a todo tempo estamos sendo levados a lidar com conteúdos variados como notícias, vídeos, imagens, etc., e essas, consciente ou inconscientemente nos influenciam seja para o bem ou para o mal.

Influência ao mal se percebe no filme Sem Vestígios quando claramente se nota que o assassino influencia os internautas a fazerem parte do assassinato, estes, os internautas, conscientes ou não da escolha que fazem simples e puramente dão vida aos planos desumanos do personagem Owen Reilly . Vejam só como o poder da influência foi grande, diga-se determinante para que tudo ocorresse como planejado, uma vez que todos os internautas direta ou indiretamente foram os assassinos de cada vítima. Como achar normal que inúmeras pessoas sejam coautoras de crimes bárbaros, socialmente marginalizados? Esse relato é apenas um exemplo do poder de influência dos novos meios assumidos como de comunicação e informação presente no ciberespaço. Por isso, tanto se preza pelo cuidado ao se envolver na virtualidade.

Partindo dessas observações, volto-me para a terceira pergunta do artigo: quais recursos serão utilizados para atrair esse novo consumidor leitor? Ora, sabido que dentro do ciberespaço também somos consumidores de informação, produtos, etc., o que nos leva a serem consumidores são as novas vantagens que encontramos no mundo virtual como, por exemplo, atendimento 24 horas, preços mais acessíveis, poder de adquirir um produto em diferentes lugares do mundo, facilidade de pagamento, variedade, uma vez que os produtos se expõem numa malha virtual numerosa e mais atrativa. Como se percebe, são inúmeros os atrativos, as influências que os ciberconsumidores sofrem. “A essência da internet consiste em fornecer informações que possibilitem um maior leque de opções de escolha para o consumidor ( Paulo Cesar, 2002; p. 3 ).” Por fim, friso o poder que as novas tecnologias mediáticas estão utilizando para reconfigurar as relações de consumo e troca dos seres humanos, vivemos numa nova era, a era da globalização.

  1. Conclusão

Debruçando-nos sobre tudo que foi discutido, satisfaço ao último questionamento: que respostas podemos esperar desses novos tempos em que todos são produtores e consumidores ao mesmo tempo? Sem sombra de dúvidas, devemos esperar uma nova forma de ser e viver: mudanças na sociabilidade, cidadania, criminalidade, cultura, etc. Caminhamos rumo a novos desafios em todos os campos das relações humanas, uma vez que a tecnologia cada vez mais faz parte de nossas vidas.

REFERÊNCIAS

CARVALHO, Guilherme de. Uma reflexão sobre a rede mundial de computadores. Brasília: Sociedade e Estado, 2006. 6 p.

COSTA, Ana Maria Nicolaci-da. Ciberespaço: nova realidade, novos perigos, novas formas de defesa. Rio de Janeiro: Psciologia Ciência e Profissão, 2003. 10 p.

MATOS, Ludimila Santos. O sublime e o mito no ciberespaço e suas consequências no jornalismo. São Luís: Cambiassu, 2010. 12 p.

MAYA, Paulo Cesar da Cunha; OTERO, Walter Ruben Iriondo. A influência do consumidor na era da internet. Curitiba: FAE, 2002. 11 p.

PERNA FILHO, Francisco . REAL & VIRTUAL: A ESPETACULARIZAÇÃO DO HUMANO. Observatório da Imprensa (São Paulo), v. 01, p. 554, 2009

TOMIZAWA, Guilherme; MASCHIO,Thamyres.Ciberdemocracia: participação popular via internet. ANIMA: Revista Eletrônica do Curso de Direito das Faculdades OPET. Curitiba. Ano III, nº 7, p. 244-254, jan/jun. 2012, ISSN 2175-7119.

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